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Treino com o tênis LIVE! Loop: análise pelo Protocolo Lebre

Durante um evento realizado em parceria com a LIVE!, aplicamos o Protocolo Lebre em corredores amadores para analisar a resposta biomecânica dos corredores ao utilizar o tênis LIVE! Loop, o primeiro modelo de corrida da marca, em uma situação prática de uso real.

A proposta foi observar se, após um período contínuo de corrida em ritmo confortável, típico de um treino leve, os padrões biomecânicos da corrida se manteriam estáveis, indicando uma interação consistente entre corredor e tênis.

Métodos

Foram avaliados cinco corredores (três homens e duas mulheres), com idades entre 30 e 37 anos, pesos entre 59 kg e 83 kg e estaturas de 1,64 m a 1,80 m, com níveis de experiência variando de seis meses a mais de dez anos de prática de corrida. Todos receberam o tênis LIVE! Loop para os testes (tamanhos entre 36 e 42).

As análises foram realizadas em dois momentos:

  • Avaliação inicial: ao chegarem à Lebre
  • Avaliação final: após aproximadamente 4 km (cerca de 40 minutos) de corrida contínua, ao chegarem à LIVE!

O Protocolo Lebre foi aplicado em esteira antes e após a corrida, por meio de um sensor inercial posicionado na região lombar, integrado a um software de análise biomecânica. Foram avaliados os seguintes parâmetros:

  • Estabilidade dinâmica (%)
  • Impacto (%)
  • Simetria (%)
  • Tempo de contato com o solo (ms)
  • Cadência (passos por minuto)
  • Relação de voo (%)

Para a comparação entre os dois momentos, foi utilizado o teste t pareado, considerando-se valores de p< 0,05 como estatisticamente significativos. Devido ao número reduzido de participantes, os resultados devem ser interpretados como exploratórios.

Resultados

Os parâmetros de estabilidade dinâmica (6,06 vs. 4,84; p= 0,59), magnitude do impacto (1,60 vs. 2,92; p= 0,34), duração do impacto (9,1 vs. 9,2; p= 0,96), tempo de contato com o solo (2,26 vs. 2,95; p= 0,47) e cadência (169,6 vs. 166,2; p= 0,25) permaneceram semelhantes antes e após o período de corrida contínua.

Por outro lado, observou-se um aumento da relação de voo após a corrida de aproximadamente 4 km (30,8 vs. 36,8; p= 0,009).

Discussão

A manutenção da maioria dos parâmetros biomecânicos sugere que os corredores conseguiram preservar seus padrões naturais de corrida ao longo do tempo de uso contínuo do tênis, sem aumento de impacto, perda de estabilidade ou alterações relevantes de cadência.

A relação de voo representa a proporção do ciclo da passada em que o corredor se encontra em fase aérea, sendo diretamente influenciada pelo equilíbrio entre tempo de apoio e impulsão. Alterações nesse parâmetro, especialmente em corridas realizadas em ritmo confortável, são frequentemente interpretadas como ajustes naturais da dinâmica da passada, e não necessariamente como sinais de deterioração técnica.

Estudos de síntese sobre a biomecânica da corrida destacam que parâmetros espaço-temporais como tempo de contato, tempo de voo e o chamado duty factor (razão entre tempo de apoio e o tempo total do ciclo) são componentes centrais do estilo de corrida de um indivíduo. Variações nesses parâmetros refletem diferentes estratégias de organização do movimento do centro de massa durante a corrida, podendo ocorrer mesmo sem mudanças de velocidade ou cadência e sem associação direta com fadiga ou instabilidade (van Oeveren et al., 2024).

Dessa forma, o aumento da relação de voo observado neste teste pode ser interpretado como uma reorganização funcional do ciclo da passada, compatível com uma adaptação confortável ao movimento contínuo, especialmente considerando que não houve elevação concomitante do impacto nem perda de estabilidade.

Considerações finais

Dentro das condições avaliadas, os resultados indicam que os corredores mantiveram resposta biomecânica estável durante o uso contínuo do tênis LIVE! Loop em um treino leve, com apenas ajustes sutis na dinâmica da passada ao longo do tempo.

Para um primeiro modelo da marca, esse comportamento é positivo, sugerindo uma interação consistente entre corredor e calçado em situação real de corrida. Por se tratar de uma análise exploratória, com número reduzido de participantes, estudos futuros com maior amostragem, comparação com outros modelos do mercado e inclusão de novas variáveis biomecânicas poderão aprofundar essas observações.

Ainda assim, os dados reforçam a importância de avaliações objetivas e individualizadas na escolha de tênis de corrida.

O papel do Protocolo Lebre na escolha do tênis

A biomecânica da corrida mostra que não existe um único tênis ideal para todos os corredores. Pessoas diferentes respondem de formas distintas ao mesmo modelo, dependendo do seu padrão de movimento.

O Protocolo Lebre permite analisar objetivamente como cada corredor responde biomecanicamente ao uso de diferentes tênis, avaliando impacto, estabilidade, simetria e dinâmica da passada. Essa abordagem auxilia escolhas mais seguras e personalizadas, baseadas em dados reais de movimento e não apenas em sensações subjetivas.

Referência

van Oeveren BT, de Ruiter CJ, Beek PJ, van Dieën JH. The biomechanics of running and running styles: a synthesis. Sports Biomech. 2024 Apr;23(4):516-554. doi: 10.1080/14763141.2021.1873411.

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